Síndrome metabólica é uma doença da civilização moderna, associada à obesidade, como resultado da alimentação inadequada e do sedentarismo. Reconhecida como uma entidade complexa que associa fatores de risco cardiovasculares bem estabelecidos, como hipertensão arterial, hipercolesterolemia, e diabetes, entre outros, com a deposição de gordura abdominal e a resistência à insulina. A Síndrome Metabólica já ganha a dimensão como um dos principais desafios da prática clínica.
O diagnóstico leva em conta as características clínicas (presença dos fatores de risco) e dados laboratoriais. Basta a associação de três dos fatores abaixo relacionados para diagnosticar a síndrome metabólica:
• Obesidade central: circunferência da cintura maior que 88 cm na mulher e 102 cm no homem;
• Hipertensão Arterial: pressão arterial sistólica maior que 130 e/ou pressão arterial diastólica maior 85 mmHg;
• Glicemia de jejum alterada (glicemia maior que 100 mg/dl) ou diagnóstico de Diabetes;
• Triglicérides maior 150 mg/dl;
• HDL colesterol menor 40 mg/dl em homens e menor que 50 mg/dl em mulheres;
A correção do excesso de peso, do sedentarismo e de uma alimentação inadequada são medidas obrigatórias no tratamento da Síndrome Metabólica. A adoção de uma dieta balanceada é uma das principais medidas que deve ser individualizada para a necessidade de cada paciente. A dieta deve estar direcionada para a perda de peso e da gordura visceral, com o objetivo de normalização dos níveis da pressão arterial, da correção das dislipidemias e da hiperglicemia e consequentemente a redução do risco cardiovascular.
A atividade física deve também ser enfaticamente estimulada, sempre adequada à faixa etária e ao condicionamento físico de cada indivíduo. A prática de exercícios moderados, 30-40 minutos por dia, está sem dúvida associada ao benefício cardiovascular. Atividades físicas mais intensas são em geral necessárias para induzir maior perda de peso, mas nesse caso, tanto para o tipo como para a intensidade do exercício, os pacientes devem ser avaliados de forma individualizada, e eventualmente, com prévia avaliação cardiovascular.
Muitas vezes, para tratar hipertensão arterial, dislipidemia, hipertrigliceridemia, o aumento da glicemia e o excesso de peso, será necessário o uso de medicamentos com acompanhamento médico. Deve-se conversar com seu médico para saber qual é a melhor opção para você.
O recomendado é passar por avaliação médica regularmente, para identificar possíveis fatores de risco e reduzir o aparecimento de futuras doenças cardíacas, entre outras complicações.
A maioria das pessoas que tem a Síndrome Metabólica sente-se bem e não tem sintomas. Outra dificuldade é a adesão do paciente ao tratamento, principalmente no que se refere à mudança do estilo de vida. Desta forma, a atuação de uma equipe multidisciplinar é fundamental para o sucesso do tratamento.
Dr. Cristiano Luiz Vacchi Brosco Vaz
Médico Cardiologista
CRM 107987